Smarana

Discussões sobre Memória Organizacional em ambientes de desenvolvimento de Software

O pavor da Língua Portuguesa

Ainda falando sobre o aspecto Pessoas, gostaria de falar um pouco sobre um fenômeno que tenho observado nas pessoas que trabalham com desenvolvimento de sistemas. A maioria não tem paciência ou conhecimento na língua portuguesa – raros são os que prezam pelo desenvolvimento dos textos que servem principalmente para a Gestão do Projeto, Elicitação de Requisitos e Comunicação interna da equipe.

Esse pavor afeta as duas extremidades da comunicação (emissor e receptor). O primeiro, por não querer elaborar um bom texto, capaz de ser compreendido por qualquer leitor, tende a transformar todo texto produzido em tabelas ou itens. Essa “solução” promove edição e leitura rápidas, mas esquece o principal objetivo da comunicação – o entendimento.

Isso nos remete ao pavor que o leitor tem. Ele normalmente não quer aprender. Ele espera que o texto traga uma solução pronta, tal qual um componente buscado na internet. Não podemos esquecer, no entanto, que nem esses componentes são 100% aderentes aos nossos problemas – precisamos compreendê-los para saber como aplicá-los (ou alterá-los), tornando-os ideais para a resolução de nossos problemas.

Esse pavor do leitor “casa” perfeitamente com o do autor, pois a redução de tudo a tabelas ou listas permite rápidas edição e leitura. Ao ler esse texto (se é que podemos chamá-lo assim), o leitor assume que entendeu a realidade. No entanto, ele não possui o contexto em que aquele arremedo de texto surgiu, pois a coesão e a ambientação são elementos desprezados pelo autor. Em outras palavras, o lido não corresponde ao escrito – mas todo mundo acha que está tudo bem.

Ao aplicar o resultado desse processo de comunicação truncado e idiotizado pelo reducionismo radical, o leitor não adquire o discernimento necessário para flexibilizar a [suposta] solução ao seu problema atual – ou pior, para replicar essa flexibilização em problemas futuros, diferentes (em sua essência) do atual.

Resta então o apelo que sempre faço: vamos lembrar das lições do ensino fundamental/médio e escrever textos coesos, com início, meio e fim e que agreguem valor ao leitor, promovendo seu aprendizado e não apenas “empurrando-lhe” uma espécie de fórmula que não poderia (na maioria absoluta dos casos) ser generalizada. Não se trata de falar difícil, usando vocabulário obscuro, mas de escrever algo que traga crescimento ao leitor.

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Publicado em domingo, maio 11, 2008 por em Gestão do Conhecimento, Processos e Metodologias, Requisitos.

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