Smarana

Discussões sobre Memória Organizacional em ambientes de desenvolvimento de Software

Sobre o “oath of non-allegiance”

É uma iniciativa bacana. Levanta, porém, uma indicação de que as coisas não andam nada bem na área de informática. É um absurdo que precisemos levantar uma bandeira dessa quando toda a ciência gira em torno do processo de evolução e revolução brilhantemente descrito por Kuhn (segue o link e lá tem referências mais detalhadas a textos). Sendo nossa área uma construto científico de alto nível – não porque é boa, mas porque é COMPLETAMENTE ciência -, não podendo seus agentes ignorar seus princípios, é espantoso como tudo virou uma guerra de seitas (ou pior, de marketing). Isso foi muito bem observado por Alistair Cockburn e sempre foi, também, uma preocupação minha. Tal qual o autor,

“I’m tired of people from one school of thought dissing ideas from some other school of thought. I hunger for people who don’t care where the ideas come from, just what they mean and what they produce.”

É preciso que essa lógica seja revertida e que os fundamentos de filosofia e da pesquisa científica voltem a ter maior relevância na formação [não só] do pessoal de TI, ou pelo menos que as idéias achem um terreno mais fértil na cabeça das pessoas. Ignorar outras teorias e não enxergar seu espaço no mundo real são, em minha opinião, um atestado de desinformação e despreparo para atuar na área. Hoje em todas as áreas – e principalmente a nossa – as coisas mudam com uma velocidade espantosa. Quem não se adapta, fica para trás. E adaptar-se em uma atividade que depende quase exclusivamente de conhecimento é ser capaz de analisar e sintetizar técnicas, opiniões, metodologias, teorias…

Todo mundo diz que não há lugar para quem não abraça a mudança, mas eu vou mais longe: o espaço para quem não é AGENTE de mudança é cada vez mais restrito num mundo em desenvolvimento.

E é por isso que eu concordo plenamente com o “oath of non-allegiance”.

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Um comentário em “Sobre o “oath of non-allegiance”

  1. Marlon
    terça-feira, outubro 5, 2010

    Eu já visso várias vezes. Quem não lembra quando Orientação a Objetos virou “moda” e tantas pessoas vinham de pronto criticar duramente a arquitetura de seu sistema com um monte de padrões de projeto debaixo do braço? A aplicabilidade destes padrões ao contexto do sistema pouco importava, o importante era você dizer pra todo mundo que usava o padrão X, Y e Z, como se isto fosse garantia de um produto bom. Parecia que todo conhecimento anterior tinha virado lixo. Que banco de dados relacional era o maior mal do mundo. Que técnicas de linguagens procedurais eram o satanás…

    Alguém ensinou (errado) de que OO era a salvação do mundo e o cara acreditou sem contestar, acreditou que todo o esforço anterior era lixo e saiu falando bobagens. Tem desses que até vira líder de projeto. 😛

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Publicado em quinta-feira, setembro 30, 2010 por em Processos e Metodologias.

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