Smarana

Discussões sobre Memória Organizacional em ambientes de desenvolvimento de Software

Há “tipos” de conhecimento?

Aí uma pergunda difícil, não pelo seu teor ou significado, mas pela dificuldade de tornar a resposta clara. Vou me arriscar.

Num post anterior, deixei a pergunta se uma pessoa que não exercitou uma atividade pode dizer que a conhece. Essa ideia está intimamente relacionada com a pergunta lançada. Isso porque conceitualmente podemos “dividir” o conhecimento em esferas bem distintas, enquanto na prática a coisa é bem diferente.

Na ciência, é preciso decompor um todo em partes para estudo – processo de análise – e depois reintegrá-los para observação das características do todo complexo. Assim, pode-se dizer que o conhecimento pode ocupar terrenos como know-how (saber fazer, prática, experiência), know-why (saber porque, teorias, formalização, investigação científica), know-who (saber quem, networking, rede social), know-what (saber o quê, identificar o objeto da ação ou pensamento), know-when (saber quando, senso de oportunidade) e por aí vai. Essas definições podem variar de acordo com a forma como o conhecimento é avaliada no estudo.

Na prática, no entanto, não há essa distinção. Quando uma pessoa apreende uma informação de uma fonte formal, por exemplo, além de ampliar seu know-why, irá também modificar os outros terrenos – mais imediatamente, podemos indicar o know-what em função da mudança de sua visão sobre o objeto estudado. A recepção de uma nova informação é como a primeira tacada num jogo de bilhar – raramente movimenta uma única bola, mas movimenta o sistema inteiro. Sempre que há apreensão de informação, o modelo mental sai de uma zona de conforto e há uma reacomodação num novo estado em que a informação se associa e modifica tudo aquilo que a ela se relaciona dentro do modelo mental do sujeito. Então, não poderíamos dizer que o conhecimento é, na verdade, um só?

Na minha opinião não apenas podemos dizer isso como não podemos avaliar/quantificar o conhecimento da pessoa nesses vetores. Podemos medir apenas a capacidade de realização, seja ela uma ação ou uma explanação. O que implica em dizer que quem nunca praticou só poderá dizer que realmente sabe se o praticar (se o objeto for uma ação prática no mundo real) ou discorrer corretamente sobre a atividade (se o objeto for mais ligado ao plano teórico).

Mas dizer que o conhecimento é um só abre uma outra questão: conhecimento tem escopo? ou não existe plural no conhecimento?

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Publicado em sexta-feira, outubro 8, 2010 por em Rapidinhas da GC.

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