Smarana

Discussões sobre Memória Organizacional em ambientes de desenvolvimento de Software

A crise da produtividade

Reproduz-se hoje discursos sem crítica real.

Não sou a pessoa mais indicada para falar sobre isso – principalmente porque eu acho que [as pessoas de] a área de informática vem dependendo mais de linguistas e psicólogos para poder voltar aos eixos. Ontem li [mais] um post interessante sobre produtividade, recomendado por @mlalbuquerque (Márcio, esse post não é uma crítica a você, meu velho). Interessante, mas muito bobo. Hoje o que não falta é gente na área de desenvolvimento tentando derrubar qualquer forma de avaliação e medição, dando a entender que a atividade é mais arte do que técnica. Da mesma forma, tem muita gente criticando a revolução industrial com um papo pseudo-marxista sem ao menos ter lido uma obra de Marx. E quando se gera muito zum-zum-zum, o melhor é sempre voltar à simplicidade.

Produtividade, por princípio básico da administração é o resultado da proporção output/input. É, portanto, uma relação entre o que se produz e o que se gasta para produzir. Então sabemos o que é produtividade? Óbvio que sim! O problema da área de TI (principalmente desenvolvimento) é que ninguém sabe (ou quer saber) exatamente calcular as variáveis envolvidas nessa proporção. E, se não tenho interesse em saber, é muito mais fácil tentar convencer os outros de que o que eu faço é uma caixa-preta, uma mágica, uma arte – então posso fazer no meu tempo e pelo meu preço sem que ninguém me incomode.

Trabalhar por mais tempo gera menos produtividade.

Input está relacionado a custo, e não prazo. Portanto, mais horas diárias de trabalho ou emprego de equipe maior não afetará positivamente na produtividade, pois você aumenta o custo na perspectiva que isso seja compensado pela redução no tempo efetivo ao final do projeto, re-equilibrando o input. Mas isso não acontece. Ao contrário, a equipe tende a sofrer de burnout, o que acabará por reduzir a capacidade produtiva e destruir a perspectiva de compensação.

Output é o que se produz de fato. E aí reside o ponto crucial da medida de produtividade – e da gestão como um todo. Como eu posso ter uma ideia da produtividade que terei sem saber o que farei? Como depois posso medir esse output se não sei o quanto vale aquilo que foi produzido? O fato de não termos medida para o software é que complica essa aferição. Mas o que mais me preocupa não é essa ausência de uma medida satisfatória atualmente, mas o forte movimento que nega a necessidade de se medir – ou finge usar PF (que, IMHO, é um método desatualizado) só para justificar seus preços.

Deveríamos estar buscando uma forma mais efetiva de medir, para o bem de um mercado mais transparente e competitivo e satisfação dos clientes – sim, a satisfação do cliente também está ligada à real percepção de gastos que terá e possibilidade de planejamento de suas despesas frente à aquisição do produto. A entidade que disser que não está preocupada com os gastos está fadada ao insucesso e há alguma possibilidade de não honrar seus compromissos – então, não abrace o capeta, abra o olho para não embarcar em uma nau furada.

Fazemos aquilo que costumamos criticar.

Ao ignorar a importância de se saber os custos de nossas realizações, estamos agindo como as licitações fraudulentas que costumamos criticar, nas quais o cliente (governo e sociedade) sofre com o prejuízo e a impossibilidade de gestão enquanto as empresas vão muito bem (ou pelo menos não assumem prejuízos). E se, por outro lado, assumirmos a falha de gestão como prejuízo nosso, estamos depredando nosso patrimônio, ajudando a findar empresas nossas ou de nossos empregadores. Uma terceira via, muito bonita e romântica, é a de partilhar prejuízos. Ora, esse discurso parte, de cara, de uma assunção de que o prejuízo vai acontecer! E se o prejuízo sempre acontece, a empresa existe para que fim?

Continuo defendendo a necessidade de se conceber melhor os produtos, com avaliação mais séria do negócio em ambos os lados, e a importância de empreender esforço no desenvolvimento de uma métrica mais satisfatória.

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Publicado em quinta-feira, novembro 10, 2011 por em Gerenciamento de Projetos, Processos e Metodologias.

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